Um percurso pelos instrumentos do disco
Visita Sensorial
Sete paradas. Em cada uma, um instrumento: um trecho do disco em que ele toca, como ele soa e como ele é — tamanho, material, formato, o jeito de segurar.
Como navegar
- Cada parada tem os botões Parada anterior e Próxima parada, no pé da parada.
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- Nada toca sozinho. Os trechos do disco e a narração só começam quando você aciona.
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Visita Sensorial em Libras
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Parada 1 de 7
O violino
Como ele soa
É o instrumento mais próximo da voz humana aguda. Pode cantar longo e contínuo, pode saltar rápido, pode raspar ou sussurrar conforme a pressão do arco sobre a corda.
No disco, é a voz que conduz quase tudo — às vezes à frente, como solista; às vezes por dentro, costurando a harmonia dos outros.
Como ele é
O menor e o mais agudo da família das cordas friccionadas. O corpo tem cerca de 35 cm de comprimento, em madeira: tampo de abeto, fundo e laterais de bordo. O formato lembra um oito, com duas aberturas em forma de f no tampo, por onde o som escapa.
São quatro cordas. O músico apoia o instrumento entre o ombro esquerdo e o queixo, segura o braço com a mão esquerda e passa o arco com a direita. O arco é uma vara de madeira com crina de cavalo esticada de ponta a ponta.
Escute
Partita nº 3 em Mi Maior, BWV 1006 — Rondeau, de J. S. Bach. Violino sozinho, sem acompanhamento nenhum: o instrumento inteiramente exposto.
Parada 2 de 7
A viola caipira
Como ela soa
Som agudo, cintilante e levemente desafinado de propósito: as duas cordas de cada par nunca vibram exatamente juntas, e é desse pequeno atrito que nasce o brilho.
É o instrumento da música do interior do Brasil — da moda de viola, da folia de reis, da roda de casa.
Como ela é
Menor que um violão e com dez cordas, organizadas em cinco pares. Cada par é afinado junto. O corpo é de madeira, com a boca redonda no centro do tampo.
Toca-se dedilhando com os dedos da mão direita ou com palheta, enquanto a mão esquerda pressiona as cordas sobre os trastes do braço.
Escute
Ave Maria, de J. S. Bach e Charles Gounod, com a viola caipira de João Bellaver acompanhando o violino de Roney Marczak. Um encontro improvável: uma peça do repertório europeu sustentada por um instrumento do sertão brasileiro.
Parada 3 de 7
O piano
Como ele soa
É o instrumento de maior extensão: vai do grave mais profundo ao agudo mais fino. Pode tocar melodia e acompanhamento ao mesmo tempo, por isso costuma sustentar a harmonia por baixo do violino.
O som nasce de um golpe e decai desde o primeiro instante — ao contrário do violino, que pode crescer depois de começar.
Como ele é
Uma caixa grande de madeira com 88 teclas: 52 brancas e 36 pretas. Dentro, cordas de aço esticadas sobre uma estrutura de ferro. Ao pressionar a tecla, um martelo forrado de feltro bate na corda e volta.
Nos pés há pedais; o da direita sustenta o som depois que os dedos saem das teclas. O piano de cauda, usado no show de lançamento, é o modelo horizontal, com a tampa que se abre como uma asa.
Escute
Sonata em Dó Maior, KV 296 — Allegro, de W. A. Mozart, escrita para violino e piano. Aqui os dois são parceiros em pé de igualdade, conversando um com o outro.
Parada 4 de 7
A sanfona
Como ela soa
Som contínuo e encorpado, que não decai enquanto houver ar no fole. É um dos poucos instrumentos capazes de sustentar uma nota indefinidamente, como um órgão portátil.
No Brasil é a voz do forró, do baião e da música de festa.
Como ela é
Também chamada de acordeon, é um instrumento de fole: duas caixas de madeira ligadas por uma sanfona de papelão e tecido que abre e fecha. O músico veste o instrumento com alças nos ombros.
A mão direita toca um teclado ou botões; a esquerda aciona botões de baixos e acordes. O ar empurrado pelo fole faz vibrar pequenas palhetas de metal dentro das caixas.
Escute
Feira de Mangaio, a faixa que abre o disco. No álbum, a sanfona e o acordeon são de Gabriel Bellaver.
Parada 5 de 7
A orquestra de cordas
Como ela soa
Juntos, os instrumentos de corda formam um colchão de som contínuo, sem ataque percussivo, que pode crescer e diminuir muito devagar. É o som que associamos a cinema e a emoção larga.
Nenhum instrumento aparece sozinho: o que se ouve é a soma.
Como ela é
As cordas se organizam em famílias, do mais agudo ao mais grave: violinos, violas de arco, violoncelos e contrabaixos. A viola de arco é um pouco maior que o violino e soa mais escura.
O violoncelo é tocado sentado, apoiado no chão por um espeto de metal, entre os joelhos do músico. O contrabaixo é tão alto quanto uma pessoa — o músico toca de pé.
Escute
Aquarela, de Toquinho, gravada com a Orquestra Jovem de Londrina. Quem toca nesse colchão de cordas são jovens músicos da cidade.
Parada 6 de 7
Bateria e percussão
Como ela soa
É o único grupo que marca o tempo com ataque, sem altura definida de nota. Grave no bumbo, seco na caixa, metálico e longo nos pratos.
É o que faz o corpo acompanhar a música sem perceber.
Como ela é
Um conjunto de peças montadas em volta de um músico sentado. Os tambores têm corpo cilíndrico de madeira com pele esticada nas duas faces: o bumbo, grande, tocado com um pedal no pé direito; a caixa, no centro, com esteiras de metal por baixo que produzem o chiado; e os tons, de tamanhos variados.
Os pratos são discos de liga metálica suspensos em tripés. A percussão reúne instrumentos de mão, como pandeiro, triângulo e chocalho.
Escute
Tico-Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, que fecha o disco em andamento rápido. No álbum, bateria e percussão são de Alexandre Vicente.
Parada 7 de 7 — última
As vozes do projeto
Esta última parada não é de um instrumento. É das pessoas.
Como isso soa
Soa como um grupo, não como um solista com acompanhamento. As entradas não são todas perfeitamente simultâneas. A afinação tem a oscilação de quem ainda está aprendendo.
Isso não é defeito de gravação: é o retrato de um projeto que existe para formar gente.
Quem são
Boa parte do que você ouviu até aqui não foi tocada por músicos profissionais contratados. Foi tocada por alunos e professores da Escola de Música Sol Maior e pela Orquestra Jovem de Londrina.
Na escola, a cada três alunos pagantes, um estuda de graça. Mais de oito mil crianças e jovens já passaram por lá; quase quinhentos são hoje músicos profissionais.
Escute
Alegria, de Roney Marczak e Gonçalo Rebelato, gravada com integrantes do Projeto Sol Maior.
Fim do percurso. Os trechos ouvidos aqui são recortes de 45 segundos. As faixas completas estão no movimento IV da página inicial.